GloboNews.com
- 18 de dezembro
de 2003
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BRASÍLIA - Nos improvisos que incluiu no longo discurso sobre o balanço do primeiro ano de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu, na opinião de políticos presentes à cerimônia, pistas de quem está forte e quem está fraco na equipe ministerial. A reforma poderá ser feita em duas etapas, conforme fontes do Palácio do Planalto. Na primeira, mais pontual, apenas para abrigar dois nomes do PMDB e alguns ajustes na equipe - como no caso do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na segunda fase, substituindo aqueles que queiram disputar as eleições municipais. Embora tenha feito questão de apresentar um relatório detalhado das conquistas setoriais do governo, rebatendo a crítica de paralisia do governo, ao fim do discurso o presidente reconheceu que as áreas mais fortes de governo são mesmo a da condução da economia, que conseguiu conter a inflação e construir as bases para a retomada sustentável do crescimento econômico, e a gestão política, lembrando que o governo não foi eleito com maioria parlamentar, mas conseguiu construir a maioria que permitiu a aprovação das reformas da Previdência e tributária. Ao falar das duas áreas, o presidente cobriu de elogios os ministros Antonio Palocci e José Dirceu - apontados como irremovíveis. Lula disse que Palocci "teve a maestria e a competência" para dizer não a pedidos justos "sem ceder à tentação" de adotar medidas que pudessem colocar em risco o programa de recuperação econômica do país. - Muitas vezes, dizer não é mais difícil do que dizer sim, e muitas vezes companheiros do PT perguntavam se Palocci não estava errando - disse Lula, quando invocou a autoridade de presidente ao descartar a existência de "política de um ministro ou de outro". - Não existe política do Palocci, nem do Dirceu, nem do Gushiken, nem do José Alencar, nem do Lula. Existe política de governo - afirmou o presidente. Ao fazer elogios a José Dirceu, o presidente afirmou que duvidava que, sem ele na Casa Civil, o governo conseguiria concluir as reformas no Congresso a partir da construção da maioria. - Não sei de todos os acordos que ele faz no Congresso. Mas sei que quando ele, o (José) Sarney, o João Paulo, o Aldo (Rebelo), o (Aloizio) Mercadante e outros líderes na Câmara falam que foi feito o acordo e que aqui vai ser votado, isso acontece. O governo optou pelo caminho do entendimento em lugar de tentar impor a lógica da maioria sobre a minoria. Obtivemos vitórias no campo político com a aprovação das reformas da Previdência e tributária em sete meses porque chamamos ao diálogo todos os governos e lideranças de todos os partidos, inclusive os da oposição - disse Lula, discorrendo nos elogios a Dirceu. No seu discurso, o presidente também fez questão de elogiar o que chamou de "os três mascates" do governo, que são os ministros do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, o da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula disse que tem confiança "em soltar os três em qualquer arena do mundo" para negociar em nome do Brasil. A política externa também foi citada de forma bastante elogiosa pelo presidente. O ministro Ricardo Berzoini, da Previdência, ganhou destaque do presidente quando ele lembrou as primeiras negociações comandadas pelo ministro para elaborar a proposta de reforma da Previdência. Lula lembrou que Berzoini era sindicalista e foi obrigado a negociar com antigos companheiros as mudanças que eram necessárias ao país. Os ministros Ciro Gomes, Emília Fernandes, Walfrido Mares Guia "e o dos Esportes", Agnelo Queiroz, foram citados nominalmente como os que trabalharam para construir a estrutura de seus ministérios. O ministro Gilberto Gil, da Cultura, apareceu no vídeo apresentado antes da fala do presidente ao lado dos ministros Celso Amorim e Luiz Fernando Furlan como os que divulgam o Brasil no exterior. Chamou a
atenção dos presentes a falta de qualquer
referência a alguns ministros como Benedita da Silva,
da Ação Social; e Roberto Amaral, da
Ciência e Tecnologia. Ficou evidente, também, a
força do chamado "núcleo duro" do governo. Os
ministros Dirceu, Palocci e Gushiken só chegaram
à cerimônia, que começou com uma hora e
meia de atraso, juntamente com o presidente Lula e dona
Marisa e o vice José Alencar. Os ministros Luiz Dulci
e Guido Mantega chegaram em seguida.
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